Noites de amor em Buenos Aires
Bebo da vida como quem bebe
Do melhor vinho
Como quem dança
Tango no Bar Sur
Nas insones noites portenhas
Hora em que a luz engole
A solidão das ruas, becos
E os corpos se liquefazem
Na maciez das sombras
Ternamente urdidas nas
Noites de San Telmo
Bebo da vida com sofreguidão
De poeta milongueiro
Cantando dores
Amores
Desfazendo-me em gotas de
Luz
A gotejar mornamente
Sobre lábios
Carnudas rosas
Que fremem de paixão a
Cada beijo insinuado
Bebo da vida com demência
De apaixonado
Que se interroga
E entrelaça fios da manhã à noite
Bicho da seda que se nutre
De sonhos já sonhados
Perdidamente buscados
No afã de se fazer ouvir
Enquanto canta e dança
No Bar Sur entregue
Aos sortilégios de Buenos Aires
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